quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dança comigo?

É claro que estou só. E me sinto só. 
Mas isso me dá sensação de integridade Estou inteira. Dá-me poder. 
Caminhar sozinha. Eis um desafio. Olho à minha volta. Parece que as pessoas têm necessidade de estarem juntas.
Vejo várias duplas e trios, caminhando juntos. Um grupo mais à frente... Um jovem corredor passa sozinho por mim. (O único que vi sozinho)
Vou sentindo as sensações que a estação do ano deixa no ar. O ar seco, folhas caindo Cheiro de poeira.
A grama está mais seca. O sol mais fraco.

Cantarolo minha música preferida.  O meu pensamento vagueia. Lembro-me das últimas ilusões às quais venho me entregando ultimamente. Vem uma pequena onda de preocupação de estar invadindo o mundo de alguém. Ao mesmo tempo em que gostaria que fosse real, temo a realidade. Queria que tudo fosse como lá, na ilusão; completa felicidade e um relacionamento perfeito, sem ciúmes, com muita paixão, com muita vontade. Não sei muito dele. E é isso que me faz ser só metade. Não somos amigos. Penso que tem sempre algo em mim que não se entrega total. Nem é capaz de fazer a loucura de conhecê-lo de verdade. Traria muitas complicações. Já pensei sobre isso. Ele sabe aonde não vamos. E eu sei também. Delineados os nossos espaços, ocupamos todos os limites onde podemos alcançar. Dançamos dentro de nosso mundinho.

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