É claro que estou só. E me sinto só.
Mas isso me dá sensação de integridade Estou inteira. Dá-me
poder.
Caminhar sozinha. Eis um desafio. Olho à minha volta. Parece que
as pessoas têm necessidade de estarem juntas.
Vejo várias duplas e trios, caminhando juntos. Um grupo mais à
frente... Um jovem corredor passa sozinho por mim. (O único que vi sozinho)
Vou sentindo as sensações que a estação do ano deixa no ar. O ar
seco, folhas caindo Cheiro de poeira.
A grama está mais seca. O sol mais fraco.
Cantarolo minha música preferida. O meu pensamento vagueia. Lembro-me das
últimas ilusões às quais venho me entregando ultimamente. Vem uma pequena onda
de preocupação de estar invadindo o mundo de alguém. Ao mesmo tempo em que
gostaria que fosse real, temo a realidade. Queria que tudo fosse como lá, na
ilusão; completa felicidade e um relacionamento perfeito, sem ciúmes, com muita
paixão, com muita vontade. Não sei muito dele. E é isso que me faz ser só
metade. Não somos amigos. Penso que tem sempre algo em mim que não se entrega
total. Nem é capaz de fazer a loucura de conhecê-lo de verdade. Traria muitas
complicações. Já pensei sobre isso. Ele sabe aonde não vamos. E eu sei também.
Delineados os nossos espaços, ocupamos todos os limites onde podemos alcançar.
Dançamos dentro de nosso mundinho.
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