terça-feira, 31 de maio de 2016

Questão de esclarecimento

Ia pelo corredor recapitulando as minhas últimas palavras ao me despedir.
Estratégico falar isso e não ficar pra ouvir a opinião deles.
Mas estava entre a alma lavada e uma angústia da dúvida de ter sido esclarecedor.
Eles estavam tensos e quando eu cheguei, atrasada lógico,( fiz de tudo pra ir.) estavam com cara de assutados.
Eles fecharam a esplanação e abriram pra o debate.Nem esperaram ninguém falar já estavam encerrando. Não me contive e me pronunciei.
A favor da mesa, claro, me dirigindo aos presentes.
Notei uma mulher saindo enquanto falava, explicando sobre a conjuntura e contextualizando e dando suporte ao que tinham dito, em outras palavras. Ví que a mulher entrou novamente. Fechamos a discussão. Hora de assinar a ata. A mulher veio me fazer perguntas sobre o espaço fisico. Expliquei que não era dali. Fiquei na fila conversando com um senhor contando sobre seu filho usar celular, Falava baixo e tinha um burburinho. Assenti com a cabeça sorrindo. Me chamaram atenção para a conversa que seguia, assinei a ata. Parei pra responder, e essas foram minhas últimas palavras; Nota-se que a Democracia caminha sempre em direção à igualdade social e em algum ponto sempre que há um lado se sentindo desfavorecido se promove uma revolução. Mas em síntese a Democracia favorece mesmo é uma evolução politica.
Alguém concordou dizendo; É uma evolução para uma Democracia mais eficiente.
- Não pra uma Democracia. Ela evolui pra algo maior, mais abrangente socialmente, para o Socialismo e/ou Comunismo.
Silencio total. Saí.
Ao encontrar minha filha ela questionou sobre a experiência.
Eu me mostrei um pouco apreeensiva, pois não continuei na sala depois da minha afirmação.
Ela disse;
Uai! Amanhã você vai poder notar isso. Mas você aguenta Você é forte. Disse rindo e foi ter com sua amia que chegara.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"O alerta de Noam Chomsky é direcionado para a sociedade norte-americana, mas muito do que ele diz serve também para nós brasileiros, visto que a elite tupiniquim replica exatamente as mesmas estratégias da plutocracia norte-americana.
Soa até irônico ver um documentário estrangeiro, gravado em 2015, citar passo a passo a estratégia utilizada pela grande mídia (leia-se Rede Globo) e oposição (leia-se PSDB) para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff.
Devido aos últimos acontecimentos, Requiem for the American Dream é um documentário que todo brasileiro deveria assistir. Fica a dica."

Carlos Eduardo, editor de O Cafezinho, sobre o documentário Requiem for the American Dream, no qual, com uma série de entrevistas com um dos maiores intelectuais vivos, Noam Chomsky, questiona a concentração de riquezas por um grupo seleto de pessoas, revisitando o ideal do American Dream. Durante quatro anos de conversas, Chomsky faz um panorama histórico e político da desigualdade que destina a favorecer os mais ricos em detrimento da maioria.

Por que somos espantalhos do amor, quando saciá-lo nos curará mais rápido?


Então
fugimos
diariamente
de nó smesmos
querendo
parecer
indiferentes
Ninguém te conhece como eu.
Somos um
Uma só alma
Um só desejo
Um só sonho
Sim
é amor
faz rir
chorar
abraçar
descontrolar
querer beijar rolar tocar cheirar mas a dor talvez seja maior que o prazer de amar e ser feliz

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ser liberdade, ser mulher

- Por que está a rir e a cantar meu belo ser? Perguntou o andarilho, detendo-se a minha frente.
- Ora, não vês? Aprisionei a mulher mais encantadora que já se viu! - Tentei apontá-la, mas ela não parava em lugar algum. Sempre dançando e cantando, seus longos cabelos e o véu de sua roupa nos tocava de tempos em tempos.
- Ah! A Liberdade! E como conseguiu tal feito? – indagou.
- Eu a via passando, quando observava pela fresta de minha porta. Agarrei-a pelos cabelos e agora ela está aqui, sempre rodopiando ao meu redor.
- Hum! Interessante! - Disse ele, cruzando os braços, mas segurando o queixo com uma das mãos, olhou-me de cima a baixo. - E essas correntes nos seus pés o levam pra onde?
- Hã? Quais? – E fui seguindo as correntes que me levaram direto pra minha porta, entrei.
- Fique mais um tempo aí!,-Gritou o andarilho -  Fique, até se livrar desses grilhões, pobre ser. Os tolos e cegos também pensam possuir a Liberdade! Sentiste o gostinho? Em breve estarás com ela de verdade! Adeus! – E se foi rindo de minha tolice.

Iza Sol


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Vida de estudante

Mas eu trabalhava e muito. Já passei 3 dias sem dormir com tantos compromissos pra cumprir. Geralmente trabalhos e provas da Universidade. 
O que tornava fácil era meu interesse em cada coisa que fazia.
Na época não tinha Google pra facilitar a vida, não. Nem pra atrapalhar.
Mas o frio me ajudava. Era gostoso no final de semana passar o dia na cama. Naquela época eu acho que era a única que mantinha a lojinha de comida congelada na galeria embaixo do meu prédio.
Depois que comprei fogão, não demorou, a loja fechou. 
No inverno era só correr pra cozinha programar o micro ondas, jogar o congelado lá, correr pra cama de volta, e ler. `Na hora de comer, era só mais 30 segundos.
Tomar leite quente com chocolate na cama. Delicioso! Me lembro que li os compêndios da Teoria da Personalidade numa sentada, ou melhor, numa deitada. Freud eu quis ler tudo em outro final de semana.
Aquilo é que era imersão. Depois ficavam mais fáceis as consultas aos livros.
Me lembro que tinha que desligar meu interfone. 
Meu prédio era no "Point" da cidade e ficava muito fácil alguém me interfonar pras bagunças.
O porteiro avisava que eu estava ocupada. 
Mas sempre era surpreendida com alguém já na minha porta.
Isso me deixava alerta e meio pronta pra sair.
Nesse momento sentia meu apartamento como um cofrinho, trancava e saia. Por obrigação social, às vezes. Não tinha como dizer não. Se eu não fosse, a bagunça seria no meu apartamento. Morava sozinha e achava muito bom. República só a dos outros. Não era pra mim. Eu trabalhava e me dava a esse luxo. (Trabalhei no BB Umuarama-PR Centro de Processamento de Dados das 17;00 às 23;00) 
Mas era bom fazer rodinha nos barezinhos e tocar violão, ou resolver os problemas sociais do mundo. (Nas horas vagas, lógico).




As faces da maturidade

Eu fiz Psicologia por três anos. E vários foram os motivos de não ter terminado o curso. Mas um dos maiores foi por uma discussão sobre ética. Fomos barradas numa pesquisa de campo, pra monografia.
Era um assunto complexo e a professora da cadeira, filha do dono da Universidade não aceitou que fosse tratado. Nos deparamos com a real impotência diante da instituição. Eles realmente fazem vistas grossas aos problemas sociais. Mas já passou. Nesses 25 anos eu vi apenas se agravar o problema detectado lá atrás. Enfim "não vem ao caso" O que posso fazer, pelo menos na minha vida pessoal e ao meu redor, eu faço.
Mas o assunto principal é um garotinho.
Um menino que tive contato num abrigo de pessoas abandonadas. Ele tinha Síndrome de Down.
O abrigo era mantido pelo Lions e Rotary. Era bem organizado. E só.
Enfim o garotinho era uma graça. Convivi alguns meses com ele. Sempre que podia, mesmo fora de minha agenda do curso eu ia vê-lo.
No início eu era cheia de dedos e estratégias. Mas logo ele me deixou à vontade. Era ótimo anfitrião. Tinha, às vezes, o comportamento de um Lord Inglês, e às vezes era traquinas. Adorava me pregar peças pra me ver rindo. Fingia ser atrapalhado. Brincávamos de tudo e ele me ensinou a jogar Master Mind. Quando chegava a hora de ir embora, ele me abraçava e me consolava. Segurava meu rosto com as duas mãozinhas, olhava bem nos meus olhos e dizia;
- Não fique triste, viu? Amanhã você volta, a gente brinca mais.
Aí eu falava que não poderia ir ele já negociava outra data.
Ele tinha pena de mim. E fazia tudo pra me alegrar.
As meninas do abrigo o amavam.
Mas se houve alguém que eu conheci que era bem resolvido na vida, foi aquele menino.
Eu aprendi muito com ele.


As primeiras viagens

Eu  tinha 10 anos quando li as aventuras de Huckeleberry Finn. Peguei o livro emprestado de minha amiga Lila, o pai dela era alemão e havia lutado na guerra e gostava de contar a historia e mostrar a bala que estava atravessada na perna dele. Mantinha uma vasta biblioteca num quarto entre a sala de estar e a parte reservada para os quartos de dormir. Não abria muito aquela porta, mas quando foi pegar uma foto que ilustrava sua história eu fiquei vitrificada, estática, imóvel ao notar a quantidade de livros que ele tinha lá. Alguns empilhados e desorganizados, mas os da estante estavam todos muito alinhados.Quando o pai da Lila me contou sobre o Huck, eu não vi a hora de começar a ler.
Fazia bem rápido as tarefas de casa e da escola e corria pro quarto.
Era São Paulo. Seis filhos dentro de uma casa. Não brincávamos na rua. Não era seguro. Adorava viajar nas aventuras dos livros. Eu degustava cada palavrinha e queria estar naquele lugar descrito.
Amei.
Fui logo de volta lá devolver o livro. O pai dela me perguntou sobre algumas partes que ele não lembrava mais, eu fui refrescando sua memória. Ele ria e dizia; ”Verdade!, Já não me lembrava disso” E sorriu. Ficou sorrindo enquanto eu contava igual a uma matraca. E eu falava do amiguinho do Huck, o Tom, que era tão aventureiro quanto. Foi quando ele se levantou, foi até a estante e pegou um livro e me entregou Era o livro do Tom Sawyer. Eu vibrei quando ele disse que tinha todas as aventuras do autor e que eu poderia ficar à vontade pra le-los.
A Lila me havia dito que o pai tinha ciúmes da biblioteca dele.Não previa que seria tão mão aberta pra mim. Ela também começou a ler os livros e a gente conversava sobre os capítulos. Vários, dentre eles, O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dunas, os clássicos de nossa literatura, de José Alencar a Machado de Assis. Nunca mais parei de ler.
Um dos livros gostosos foi “Sem família” de Hector Malot, mas o que mais me identifiquei, e fatalmente incorporei na minha personalidade foi o espírito aventureiro dos dois meninos de Mark Twain.