sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ser liberdade, ser mulher

- Por que está a rir e a cantar meu belo ser? Perguntou o andarilho, detendo-se a minha frente.
- Ora, não vês? Aprisionei a mulher mais encantadora que já se viu! - Tentei apontá-la, mas ela não parava em lugar algum. Sempre dançando e cantando, seus longos cabelos e o véu de sua roupa nos tocava de tempos em tempos.
- Ah! A Liberdade! E como conseguiu tal feito? – indagou.
- Eu a via passando, quando observava pela fresta de minha porta. Agarrei-a pelos cabelos e agora ela está aqui, sempre rodopiando ao meu redor.
- Hum! Interessante! - Disse ele, cruzando os braços, mas segurando o queixo com uma das mãos, olhou-me de cima a baixo. - E essas correntes nos seus pés o levam pra onde?
- Hã? Quais? – E fui seguindo as correntes que me levaram direto pra minha porta, entrei.
- Fique mais um tempo aí!,-Gritou o andarilho -  Fique, até se livrar desses grilhões, pobre ser. Os tolos e cegos também pensam possuir a Liberdade! Sentiste o gostinho? Em breve estarás com ela de verdade! Adeus! – E se foi rindo de minha tolice.

Iza Sol


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