quarta-feira, 18 de maio de 2016

As faces da maturidade

Eu fiz Psicologia por três anos. E vários foram os motivos de não ter terminado o curso. Mas um dos maiores foi por uma discussão sobre ética. Fomos barradas numa pesquisa de campo, pra monografia.
Era um assunto complexo e a professora da cadeira, filha do dono da Universidade não aceitou que fosse tratado. Nos deparamos com a real impotência diante da instituição. Eles realmente fazem vistas grossas aos problemas sociais. Mas já passou. Nesses 25 anos eu vi apenas se agravar o problema detectado lá atrás. Enfim "não vem ao caso" O que posso fazer, pelo menos na minha vida pessoal e ao meu redor, eu faço.
Mas o assunto principal é um garotinho.
Um menino que tive contato num abrigo de pessoas abandonadas. Ele tinha Síndrome de Down.
O abrigo era mantido pelo Lions e Rotary. Era bem organizado. E só.
Enfim o garotinho era uma graça. Convivi alguns meses com ele. Sempre que podia, mesmo fora de minha agenda do curso eu ia vê-lo.
No início eu era cheia de dedos e estratégias. Mas logo ele me deixou à vontade. Era ótimo anfitrião. Tinha, às vezes, o comportamento de um Lord Inglês, e às vezes era traquinas. Adorava me pregar peças pra me ver rindo. Fingia ser atrapalhado. Brincávamos de tudo e ele me ensinou a jogar Master Mind. Quando chegava a hora de ir embora, ele me abraçava e me consolava. Segurava meu rosto com as duas mãozinhas, olhava bem nos meus olhos e dizia;
- Não fique triste, viu? Amanhã você volta, a gente brinca mais.
Aí eu falava que não poderia ir ele já negociava outra data.
Ele tinha pena de mim. E fazia tudo pra me alegrar.
As meninas do abrigo o amavam.
Mas se houve alguém que eu conheci que era bem resolvido na vida, foi aquele menino.
Eu aprendi muito com ele.


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